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Argumento
Este filme é um musical brasileiro a partir da história de dois jovens numa favela carioca. Livremente inspirada em Romeu e Julieta, é um resgate da nossa extrema musicalidade, da atualidade da nossa dança contemporânea e dessa estranha mistura que encontramos hoje nas favelas, onde a violência convive com possibilidades artísticas trazidas por projetos sociais.
“Maré, Nossa História de Amor” conta a história de Analídia e Jonatha, dois jovens moradores da Maré, favela carioca que das palafitas dos anos 60 passou por diversos planos de urbanização chegando hoje a uma população de cerca de 140 mil pessoas. A Maré é dividida hoje entre dois grupos que dominam o tráfico de drogas e que talvez se odeiem mais do que à própria polícia. Quem mora num lado da comunidade não pode ter contato com o outro, sob pena de punição.
Analídia é prima do chefe do tráfico de um dos lados e Jonatha é amigo de infância do chefe do outro lado. Ambos estudam num grupo de dança patrocinado por uma ONG, que fica exatamente no meio dos dois grupos e é dirigido pela ex-bailarina Fernanda (Marisa Orth),
Os absurdos decorrentes de toda essa situação fazem parte desse filme. Como também faz a nossa riquíssima tradição em música e dança. Na proposta de “Maré, Nossa História de Amor” a contribuição milionária de muitos gêneros, numa tentativa de se chegar a uma maneira nossa e contemporânea de trabalhar um musical.

Apresentação
O fato de ter me formado como bailarina clássica ao final da adolescência, depois de anos de estudo, se não me levou a ser bailarina – até porque a vida me levou para outros caminhos - conformou a minha paixão por todas as formas de expressão corporal.
Mas é inegável que o rigor do conjunto trabalhado pela técnica do clássico sempre me encantou. Um rigor que a vida mostrou poder ser igualmente encontrado na bateria da Mocidade Independente, num espetáculo da Broadway ou (de volta) num bom Lago do Cisne.
Há algum tempo pensava em fazer um filme musical que resgatasse a geléia geral brasileira. Sabendo que seria impossível ressuscitar o Cassino da Urca, a chanchada ou o tropicalismo, me deparava sempre com os arremedos de cópias mal feitas que a globalização vem apontando. Tentar apenas copiar o rigor da cultura de “bom tom” teria fatalmente como resultado - ainda mais para quem gosta e conhece dança – o ridículo.
Quando assisti a alguns espetáculos recentes de dança contemporânea, muitos trabalhando com comunidades carentes e muito bem sucedidos como espetáculo, voltei a pensar num filme musical brasileiro. O fato desses espetáculos trabalharem com a nossa diversidade cultural cria corpos de baile de todas as cores e misturas, sem qualquer preocupação de uniformização, como nos espetáculos tradicionais. Apenas isso já seria encantador, pois é inegável que a diversidade é encantadora. O que, no entanto, nos faz pensar um pouco além é verificar que a forma utilizada para que essa diversidade se expresse é rigorosamente perseguida. E o resultado desses dois fatores é absolutamente singular. E brasileiro.
“Maré, Nossa História de Amor” se propôs a formar um corpo de baile a partir dos vários grupos de dança do Rio de Janeiro, trabalhando portanto com a nossa diversidade étnica e cultural, mas buscando o mesmo rigor de conjunto de um espetáculo tradicional.
Da mesma forma como meus últimos trabalhos (Brava Gente Brasileira – com os índios - e Quase Dois Irmãos - com os grupos de teatro das comunidades) incorporei a experiência dos atores e das situações que enfrentamos no laboratório e na construção final do roteiro. Para isto, contei com o escritor Paulo Lins (autor de “Cidade de Deus” e co-autor de “Quase Dois Irmãos”) e com a coreógrafa Graciela Figueroa, figura fundamental na formação da dança contemporânea no país.

Personagens
Fernanda (Marisa Orth) – ex- bailarina, aceita trabalhar numa favela um pouco por falta de opção. Vai aos poucos se definindo a favor de seus alunos e se envolvendo com eles. Representa a ligação entre a comunidade e o “outro lado” da cidade.
Analídia (Cristina Lago) – moradora da Maré, cerca de 16 anos, sonha em ser bailarina. É prima do chefe do tráfico (Bê) de um dos lados da Maré . Apaixonada por Jonatha, aceita correr qualquer risco para preservar a sua paixão.
Jonatha (Vinícius D´Black) – morador da Maré, cerca de 18 anos, é MC da comunidade e também estuda na escola de dança. Seu sonho é ser cantor e gravar um CD. É amigo de infância do chefe de tráfico do outro lado da Maré (Dudu). Apaixonado por Analídia, quer abandonar aquele mundo para poder realizar seus sonhos, mas é também muito crítico sobre os problemas sociais.
Leonardo (Rafael Diogo)  – morador da Maré, cerca de 12 anos, também é estudante na escola de dança. É irmão de Bê, que não aceita que ele estude dança.
Dudu (Babu Santana)– morador da Maré, é o atual chefe do tráfico do lado direito da Maré. É completamente enlouquecido e violento, mas tem uma profunda amizade com Jonatha, por quem é capaz de qualquer coisa.
Bê (Jefchander) – morador da Maré, cerca de 20 anos, é o atual chefe de tráfico do lado esquerdo da Maré. Disputa com Dudu o controle da comunidade.

Co-produção
 
Gloria Films – França
Lavorágine Films – Uruguai

 

Seleção
“Maré, Nossa História de Amor”  foi um dos 24 filmes selecionados do programa cultural da Petrobrás 2004/2005.
O filme recebeu ainda recursos para  finalização do BNDES e da Oi Telemar.

No mercado internacional o filme conta com o apoio da Ibermedia e foi
selecionado pelo Fonds Sud Cinema, do Ministério das Relações Exteriores
da França.

Orçamento
R$: 3.893.090,15

Equipe
Direção: Lucia Murat
Direção de Fotografia: Lucio Kodato
Direção de Arte: Gringo Cardia
Roteiro: Lucia Murat e Paulo Lins
Coreografia: Graciela Figueroa
Coreografia adicional: Sonia Destri
Direção Musical: Fernando Moura e Marcos Suzano