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um filme de Lucia Murat

Locações

A memória que me contam foi rodado em quatro locações:

Rio de janeiro. A história do grupo de amigos se passa no Rio. Aqui eles vivem e teoricamente aqui eles se encontram no hospital à procura de notícias de Ana, a amiga que está internada. Os exteriores que marcam a cidade: ruas da Urca, bairro onde o personagem Irene mora, Praia do Arpoador, exteriores da Polícia Federal, Parque Lage, foram todos feitos nas próprias locações, gentilmente cedidas pelas instituições. Alguns interiores como o restaurante italiano onde Paolo trabalha também foi filmado no Rio, no caso, no restaurante Osteria del Angolo, de Luciano Pessina, ele também, como o personagem, alguém que veio para o Brasil e teve um pedido de extradição feito pelo governo italiano.

Paulínia. O filme recebeu o apoio do Polo Cinematográfico de Paulínia e com isso deveria ter a sua maior parte filmada na região. Pesquisas realizadas permitiram que montássemos o hospital onde Ana está internada na cidade. Os interiores foram em parte construídos pelo departamento de arte, complementados pelo Hospital Samaritano de Paulinia e uma parte do lobby do Teatro Municipal. Também as casas de todos os personagens foram feitas na região, buscando-se adequar esses interiores aos bairros onde teoricamente esses personagens moravam (como o bairro da Urca de Irene).

Paris. O personagem de Ana viveu seu exílio em Paris. Queríamos mostrar seu isolamento, e ao mesmo tempo, a dificuldade que tinha de voltar para se integrar na sociedade brasileira. A volta significava também abandonar a marginalidade. Por exemplo, seu encontro nas ruas de Paris com um imigrante que ganhava algum dinheiro fazendo bolhas de sabão representava a marginalidade e o prazer que tinha nessa marginalidade. Procuramos locais paradigmáticos de Paris, como a Pont Neuf . A grande dificulade era evitar as interferências modernas, como as pequenas latas de lixo verdes que existem por toda a parte, os ônibus e mesmo as pessoas, já que não tínhamos licença para fechar as ruas e interferir nas locações. Na despedida de Paris, usamos o Centro Cultural George Pompidou (o Beaubourg) inaugurado mais perto do fim do exílio, em 1974, e que representava o que se deixava para trás do ponto de vista cultural.

Brasília. O personagem ministro do filme (José Carlos) representa a parte da geração que chegou ao poder. Uma discussão importante do filme. Queríamos imagens que representassem o poder, e que são conhecidas internacionalmente como o exercício desse poder no Brasil. Dai, a Praça dos Três Poderes, e a Esplanada do Ministério. O encanto de Brasília à noite, seu charme futurista foi bastante explorado pelo fotógrafo.