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Ficção – 35 mm Duração: 100 min Orçamento: R$ 3.000.000,00
Sinopse:
Um grupo de amigos, que resistiram à ditadura militar, e seus filhos vão enfrentar o conflito entre o cotidiano de hoje e o passado quando um deles está morrendo. Um drama irônico sobre utopias derrotadas, terrorismo, comportamento sexual e a construção de um mito. Um balanço da geração de 68.
Argumento
ANA está morrendo. Ex-guerrilheira e um ícone da esquerda, ela é o último elo de um grupo de amigos que resistiu à ditadura militar no Brasil. Na sala de espera de uma casa de saúde, eles se reencontram. Utopias falidas, terrorismo e liberação sexual sob o ponto de vista de duas gerações, um grupo de ex-guerrilheiros e seus filhos, são os temas deste filme. Narrado como um quebra-cabeça, o filme vai mostrar ANA apenas quando jovem, em flashback, como se ela nunca tivesse saído dos anos 60. Jovem , linda e perigosamente frágil.
Como pano de fundo para essas questões, “A memória que me contam” vai acompanhar o dia-a-dia dos personagens principais hoje. IRENE, cineasta, está editando um filme que tem a ver com os anos 60. O casal, CARLOS, artista plástico, e ZEZÉ, curadora, trabalham com arte contemporânea. Eduardo, filho de Irene, é um jovem artista em ascensão e tem uma relação amorosa com Gabriel, filho de Ricardo, um ex-militante hoje professor que do ponto de vista comportamental é extremamente conservador.
Cada um dos personagens na sala de espera traz uma questão que liga os anos 60 a questões atuais. PAOLO, refugiado no Brasil acusado de pertencer às Brigadas Vermelhas, traz a discussão do terrorismo para hoje. Por que ele ainda é visto como um bandido e os personagens brasileiros são heróis? O que mais distinguia a realidade da guerrilha no Brasil, que vivia uma ditadura, da Itália dos anos 70?
IRENE e PAOLO já tiveram um caso no passado. O triângulo formado um dia por PAOLO, IRENE e ANA vem à tona. Mas hoje diante da possibilidade da perda de ANA o que interessa a todos os amigos ali reunidos é o afeto que os une. Um pedido de extradição feito pela Itália ocasiona a prisão de PAOLO no Brasil. Todas as discussões se acirram, inclusive com ZÉ CARLOS, atual Ministro do Governo.
Paralelamente a esse grupo, a geração de jovens, filhos daqueles ex-militantes, entra em conflito com os mais velhos. Todos têm uma profunda admiração pelos pais, não escapam do mito em torno da resistência à ditadura, têm até uma certa inveja desse passado "heróico". No entanto, as contradições na vida profissional e comportamental vão pouco a pouco acentuar as diferenças.
A morte de ANA reúne os amigos. No cemitério, ante-sala da cremação, estão todos para uma última homenagem. Nada funciona como deveria - cd não toca na hora, projeção não funciona, microfone falha, flores se atrasam. Na tela grande, essas imagens aparecem de novo, mas dessa vez tudo funciona. É uma bela e perfeita cena cinematográfica onde ANA tem a despedida que seus amigos gostariam que tivesse. IRENE está feliz de ter conseguido realizar um belo filme sobre a amiga.
O espectador entende que o filme de IRENE é o filme sobre ANA. O cinema como o sonho possível.
Lúcia Murat |