Após o tratado de paz, realizado no final do século XVIII, os guaicurus se retiram, mas não perdem a persona guerreira. Durante a Guerra do Paraguai, no final do século XIX, eles foram chamados para se aliarem ao Império Brasileiro. Até hoje, muitos contam historias dessa época, valorizando a participação dos Kadiwéu na vitória. A história da reserva começa também nesse momento.
Finda a guerra, os Kadiwéu pedem como pagamento as terras onde se situa hoje a reserva, uma das maiores existentes no país e a maior fora da Amazônia. Quando o relatório Figueiredo, um relatório feito nos anos 60 a partir de uma pesquisa em centenas de áreas indígenas, e que acreditava-se perdido durante a ditadura, foi descoberto em 2014 pela Comissão da Verdade, ficou constatado também como os pecuaristas começaram a entrar na reserva.
Segundo fica comprovado por documentos do SPI (Serviço de Proteção ao Índio) e da Justiça, a entrada começa a partir de uma grande cheia, no final dos anos 50, que alagou as fazendas que se situavam na beira do rio. Nessa ocasião, em carta ao SPI, eles pedem o direito de arrendar as terras dos Kadiwéu em troca de gado. Apesar de inconstitucional, o SPI cedeu. A partir daí, o relatório mostra inúmeras denúncias de corrupção, de roubos de gado, e de como os Kadiwéu foram obrigados a se concentrarem numa aldeia deixando sua vida de nômades.
