arte na periferia

Maré, nossa história de amor

Deize Tigrona

Deize, que canta num baile funk no filme sua mais conhecida música, “Injeção”, representou uma grande revolução no mundo funk, anteriormente dominado pelos homens. Tímida, ela aparenta o oposto de suas músicas, nas quais o sexo é tratado com uma naturalidade que espanta até as mulheres ‘moderninhas’ e ‘antenadas’. E é ela mesma que diz que a entrada das mulheres no mundo funk significou uma mudança temática da guerra das facções para o sexo e as relações homem/mulher. É nesse baile, no qual Deize canta, que o casal de protagonistas se encontra pela primeira vez.

Kako do Hip Hop

Kako, ou melhor, Amaury, é um dos selecionados entre os 500 bailarinos para integrar o grupo de dança do filme. No currículo entregue à produção, dizia que ele também era cantor e compositor. Isso contou na seleção final. Mas partiu dele sua inclusão como cantor no filme. Ao saber que faríamos um desafio de hip hop, propôs uma música que fez especialmente para a cena: “Racha na Maré”.

Kako do Hip Hop - Maré, nossa história de amor

Geleia, o surrealismo naif

O artista plástico José Jaime, o Geleia da Rocinha, tem em seu currículo exposições em vários espaços culturais na cidade do Rio e em outros países, como Alemanha, França, Noruega, Japão e Estados Unidos. Usando uma técnica própria, desenvolveu uma linha de pinturas, que ele mesmo classifica como “surrealismo naif”. Já foi porteiro, cobrador de ônibus, jogador de futebol, servente de obra e porteiro de bordel. Descoberto em 1988, por Gringo Cardia que precisava de um pintor de letras, é homenageado no filme. Um de seus desenhos foi pintado no muro, numa das cenas mais dramáticas de maior importância para o desenrolar da história.

Maré, nossa história de amor
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Pintores de letras, o programador visual da favela

Uma das formas artísticas mais utilizadas na periferia são os cartazes e placas onde se anuncia de tudo. Para fazê-los, existem os pintores de letras.

A direção de arte contratou vários deles para fazer as placas, faixas e frases que povoam as locações onde o filme foi rodado. A brincadeira no set era tentar descobrir o que era de “verdade”, pois as inscrições criadas pela produção se confundiam com as das placas já existentes.

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Grafiteiros

A maior expressão plástica no mundo da periferia já alcançou a cidade formal. Hoje, os grafiteiros da favela dividem seus espaços com muitos meninos de classe média. No filme, os grafites têm uma expressão artística e dramática fundamental, como o rosto – misto de espanto, horror e alegria – pintado na porta do galpão da escola de dança, imagem perfeita para a música do erudito Prokofief.

Spetaculu

ONG criada no ano 2000 por Gringo Cardia e Marisa Orth para transformar meninos das comunidades em profissionais para teatro e cinema na área de cenografia, “Spectaculu” teve uma importante participação no filme. Seus objetos foram cedidos para muitos cenários e seus estudantes participaram da montagem, trabalhando lado a lado com a equipe de arte.

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Dançando para não dançar

Ingrid, Francisca e Biazinha, selecionadas entre as alunas do grupo Dançando para não Dançar, acrescentaram à dança do filme a contribuição do ballet clássico, fundamental para formar o caldeirão pretendido. Criado em 1995, pela bailarina Teresa Aguilar, o projeto Dançando Para Não Dançar, atende hoje a cerca de 450 crianças, de onze comunidades da cidade do Rio de Janeiro, entre elas Cantagalo, Pavão-Pavãozinho, Rocinha, Mangueira, Chapéu Mangueira, Babilônia, Macacos, Tuíuti, Jacarezinho, Salgueiro e Dona Marta.

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Diversidade étnica

Fábio, Raquel e Amanda, foram selecionados durante os testes realizados na Companhia Étnica de Dança, formada por Carmem Luz em 1996 e que faz um importante trabalho no resgate da dança afro. Seus alunos, que têm também formação em clássico, jazz e contemporâneo, foram de grande importância para a diversificação pretendida.

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Grupos de Hip Hop

Tiago, Anjo e Washington formaram-se na dança de rua, vendo vídeos e indo a bailes. Depois, passaram por diversos grupos de hip hop e de companhias contemporâneas. Tiago, da comunidade do Turano, faz parte da Companhia Urbana de Dança, da coreógrafa Sonia Destri. Washington, morador da favela Camaresca, no Engenho de Dentro, já viajou para Paris com o Grupo de Rua de Niterói, de Bruno Beltrão. E Anjo, do Morro da Providência, depois de participar de vários grupos de dança de rua, foi escolhido para fazer um papel dramático no filme, e aposta agora também na carreira de ator.

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Grupo de Rap Nação Maré

Rap é poesia de rua, é contar histórias. O grupo Nação Maré, que funciona no filme como o coro grego que narra e intervém na história, fez seu primeiro trabalho no cinema no documentário Vinícius, interpretando as poesias do autor. Mas a história do trio, formado por MS Bom, Leroy e Nego Jeff, começou muito antes, entre as palafitas da velha Maré. Moradores de áreas dominadas por diferentes facções, eles participaram da realização do roteiro do filme. Hoje, fazem laboratório de poesia e rap na própria Maré.