Cristina Lago

‘Maré – Nossa história de amor’ é o primeiro trabalho de Cristina Lago para o cinema. Protagonista, ela faz o papel de Analídia, filha de um líder do tráfico de drogas preso, que vai desrespeitar a ordem local em nome da dança e do amor. O pontapé inicial na carreira da atriz, nascida em Foz do Iguaçu, no Paraná, e criada numa cidadezinha de 40 mil habitantes, em Rondônia, chamada Ouro Preto do Oeste, já rendeu frutos. Ela acaba de ser escalada também para ‘Olhos azuis’, próximo longa de José Joffily, na pele de uma prostituta que ajuda um norte-americano a encontrar sua filha no Brasil.
Carioca por opção desde os 19 anos, quando veio estudar teatro e dança no Rio, formou-se em Literatura Plena em Dança, na Faculdade Angel Viana, em 2004, participou do projeto Ateliê Coreográfico, de Regina Miranda, e cursou interpretação no Tablado, na Casa de Cultura Laura Alvim e no Studio Escola de Atores. Cristina atuou também em montagens teatrais como ‘Nosferatus, um pouco de nós’ (2003), de Marcos Henrique Rego, e ‘O alfaiate do rei’ (2004), texto de Maria Clara Machado, com direção de Cacá Mourthé, e Ariano’, (2007), de Gustavo Paso, uma homenagem aos 80 anos do escritor Ariano Suassuna, Sua experiência em dança permitiu que ela coreografasse o espetáculo ‘Geração Trianon’ (2005) de João Brandão para o Tablado, e assinasse no musical de Lúcia Murat um solo para sua personagem e um pas de deux, em parceria com D’Black (Jonathan), seu par no filme, ambos sob a supervisão da bailarina Áurea Hammerli.
ENTREVISTA
Qual a importância de fazer o ‘Maré – Nossa história de amor’?
Foi de uma importância enorme, nem consigo avaliar ainda. Nasci em Foz do Iguaçu, no Paraná, mas fui criada numa cidadezinha de 40 mil habitantes, em Rondônia, chamada Ouro Preto do Oeste. Vim para o Rio tentar uma carreira de atriz e sei como é difícil conseguir trabalho. A Lúcia me abriu uma porta maravilhosa. Vivi um processo muito intenso. Nunca tinha dançado hip-hop, por exemplo, que tem uma movimentação muito específica. Então, tive que estudar. A cabeça entendia, mas o corpo leva um tempo para realizar. Além disso, eram muitas coreografias e eu estava há uns dois anos sem dançar a sério. Tive que aprender o jeito de falar carioca melhor, cantar. Foi um ‘intensivão’, muito enriquecedor e prazeroso. A melhor escola que tive até hoje.
Você chegou a coreografar, com supervisão da Área Hammerli, algumas partes. Como foi essa construção?
Minha formação é em dança contemporânea e como conheço melhor o meu corpo acabei montando duas coreografias para o filme. Um solo, que faço sobre um piso de vidro, uma solução muito interessante no filme, e um pas de deux, junto com o D’Black.
Como foi contracenar com o D’Black, a Marisa Orth...?
Rolou uma química com o D’Black muito boa de cara. Ficamos muito unidos. Construímos uma cumplicidade, uma amizade, durante a preparação do elenco, que foi muito importante e que espero que esteja na tela, afinal esse era o objetivo. A Marisa me ajudou muito. Ela puxava a gente. A Elisa Lucinda também. O bom de contracenar com atores experientes é que eles exigem mais da gente. E não teve nenhuma intimidação com esses atores. Eles foram legais e disponíveis.
Sua experiência no vídeo era praticamente zero. O que foi mais difícil fazer?
O Cristian Duuvoort (preparador de elenco) fez um trabalho muito importante para todos nós. Eu me vejo na tela e é uma surpresa enorme. No início achava tão estranho. A gente sempre acha que pode ficar melhor. Nas primeiras vezes que me vi fiquei emocionada. Trabalhar num set é muito menos glamouroso do que se pode imaginar. Você fica ali chorando, mas em volta tem um monte de gente, câmeras, maquiadores... e a emoção tem que ser mantida. Muitas vezes, você filma à noite, muito tarde, dá sono, cansaço, preguiça, mas você tem que reagir e não deixar a energia cair. Porque quando gritarem ação, você tem que estar de olho aberto. A função do ator é essa, acreditar no que está fazendo. No filme do José Joffily vou ter falar inglês, fumar. Mas acho que é disso que gosto. De aprender coisas novas.