Babu Santana

Oriundo do grupo ‘Nós do Morro’, Babu Santana trabalhou com a diretora Lúcia Murat em ‘Quase dois irmãos’ (2004), como Pingão, líder dos presos comuns no Presídio da Ilha Grande, que lidera o conflito com os presos políticos. Presente em várias estréias nacionais nos últimos anos, teve seu trabalho reconhecido em ‘Uma onda no ar” (2001/Helvecio Ratton), arrebatando prêmios de ator coadjuvante. Seus últimos trabalhos são ‘Estômago’ (2007/Marcos Jorge), uma co-produção Brasil/Itália, rodada em Curitiba, e em ‘Tarrafal’, episódio de ‘O estado do mundo’ (2007/Pedro Costa), uma co-produção internacional apresentada na última Semana dos Realizadores do Festival de Cannes. Babu trabalhou também recentemente em ‘Batismo de sangue’ (2006/Helvecio Ratton), ‘Achados e Pedidos’ (2005/José Joffily) e ‘Redentor’ (2004/Cláudio Torres), entre outros. Em ‘Maré – Nossa história de amor’, Babu é Dudu, irmão de Jonatha e líder do tráfico de drogas na favela.

ENTREVISTA

Como foi compor um traficante que chora?

Sou um irmão adotado, que tende à violência e é chefe do tráfico. Quando a Lúcia me chamou, achei que seria mais um traficante para a minha história no cinema. Mas depois fiquei encantado com essa dimensão do drama. Tive que humanizar esse personagem. Um traficante com uma dimensão humana muito complexa. O trabalho com a Lúcia e com o Cristian Duuvoort (preparador do elenco) foi muito importante. Para dar essa dubiedade ao personagem, não podia carregar muito na interpretação. Um homem com uma arma na mão atirando já é um delinquente. Não era preciso exaltar mais isso.

Como foi trabalhar com jovens iniciantes no cinema? Você se lembrou muito do seu passado no “Nós do Morro”?

Lembrei bastante. A garotada tinha o maior gás. O Vinícius (D’Black) estava muito nervoso. Era muita responsabilidade para ele protagonizar um filme, musical, coisa que a gente nem tem um referencial forte no Brasil, sem nunca ter atuado na vida. Ele queria acertar muito e tinha que lidar com a ansiedade. Mas ele é muito perspicaz. Aquela energia toda me contagiou. Foi engraçado porque vivi essa situação muitas vezes, essa coisa de ser o caçula no set. E no “Maré” eu era o experiente, eu é que dava conselhos. Sou fã da Lúcia também. Em muitas cenas, ela pedia a nossa contribuição. E acabamos sugerindo várias ideias de interpretação. Foi um trabalho muito enriquecedor.