TRILHA

Favela

Autores: Marcelo Falcão e Xandão
Intérprete: Vinícius D’Black
Desde o roteiro, tínhamos a ideia de selecionar músicas de sucesso, que pudessem ser facilmente reconhecidas pelo espectador e que tivessem uma conexão com o filme. Favela foi uma das primeiras escolhidas. E desde o início pensamos nela para abrir o filme. Quando decidimos fazer uma longa abertura que representasse a tomada da favela pelo grupo de dança, a proposta da música se transforma, pois ela deveria sustentar 7 minutos de diferentes situações. Coube a Fernando Moura e Marcos Susano a brilhante reinterpretação, feita a partir das situações e dos diálogos da abertura.

Injeção

Autora: Deize Tigrona
Intérprete: Deize Tigrona
O baile funk tinha uma importância grande no filme. Seria o lugar em que o casal se encontraria pela primeira vez. Queríamos um solo de alguém forte e conhecido, ao mesmo tempo achamos interessante escolher uma das mulheres que renovaram a cena funk. Daí a escolha de Deize Tigrona com a sua música Injeção. A dificuldade foi passar desta cena para a cena do encontro e fazer esta transição musical, o que também coube ao Fernando Moura resolver.

Você

Autor: Tim Maia
Intérprete: Vinínius D’Black
Na verdade, esta música fazia parte de um dueto que seria cantado pelo casal após o baile, quando se encontrassem pela primeira vez. Este dueto, que foi criado basicamente pelo Felipe Abreu, preparador vocal, que aliás teve uma participação decisiva em todo o material cantado (escolha das pessoas, ensaio, etc) contava inicialmente com várias músicas. Na edição achamos que o filme parava muito ali e resolvemos deixar só o início como se fosse uma fantasia de Analídia.

Você para mim

Autora: Fernanda Abreu
Intérprete: Cristina Lago
Com "Você", fez parte do dueto.

Maré, nossa história de amor

Cantiga

Autor: poema “Cantiga”, de Manuel Bandeira
Intérprete: Pedro Luis
Ouvi esta música, que é um poema do Manoel Bandeira musicado, quando fui num show do Pedro Luis com a Roberta Sá, em que eles cantavam Cantiga. Imediatamente pensei em usá-la na cena da praia. Seria uma boa transição da favela para o mundo da classe média. A expectativa, em seguida, frustrada da visão idílica do Rio.

Pista de ferro

Autor: Kako do Hip Hop
Produtor: Rodrigo Forli
Intérpretes: Kako do Hip Hop (Banda Via Perimetral)
Outra composição do Kako, escolhida como música de fundo para um churrasco do grupo de Dudu. Precisávamos de algo que estivesse tocando no rádio, que tivesse uma referência com samba e ele nos trouxe esta música.

Coros (seis intervenções)

Autores: Leroy Paiva, MS Bom, Nego Jeff
Intérprete: Nação Maré
O grupo Nação Maré está no filme desde o início do roteiro. Pensei neles quando vi sua atuação no filme “Vinicius” em que eles reinterpretavam uma poesia. Isto foi em 2005. Neste momento, tive a idéia de transformar o coro grego, também utilizado em Shakespeare, para intervir e contar a história num grupo de rap. Propus ao grupo de tentar criar raps que pudessem ser usados no roteiro. Para isto, dei a eles o roteiro para que pudessem trabalhar. Depois de muitas reuniões, eles propuseram as poesias usadas no filme. Na medida em que o roteiro mudava, mudavam também os raps, que se adaptavam à nova realidade. Só filmamos os raps depois de o filme estar montado, já com a total segurança do que queríamos. O fundo do rap, criado pelo Gringo Cárdia e sua  equipe, também variou muito em todo este período. Chegou-se a este resultado também quando já  tínhamos o filme editado. Quanto aos arranjos, o excelente trabalho de Fernando Moura e Marcos Suzano, foi uma proposta do Fernando. De que também aqui deveríamos mostrar toda esta mescla que o filme traz . Sua proposta foi  de que ao invés de usarmos a base normalmente utilizada em grupo de raps, fosse feito um trabalho musical de mais volume, com mais instrumentos,  e com outras referências.

Romeo and Juliet

Autor: Sergei Prokofiev
O diálogo entre a música erudita e a música popular era uma presença desde o primeiro roteiro, já que o filme tratava de uma adaptação de Romeu e Julieta (mesmo que muito livre). A referência ao ballet clássico, ao mundo do ballet por meio da professora de dança também estava presente. A escolha ter recaído sobre Prokofief (e não sobre Berlioz, por exemplo, que também tem o seu Romeu e Julieta) se deu porque queríamos um autor contemporâneo que pudesse vir com toda a dramaturgia que as cenas precisavam ao invés de uma opção romântica (que seria a de Berlioz). Esta escolha, a partir da qual se ensaiou o ballet e os solos, acabou sendo estendida na edição a outros momentos dramáticos do filme que fizeram a ligação que precisávamos entre estes dois mundos do ponto de vista da dramaturgia.

Maré, nossa história de amor

Gente de lá

Autor: Marcelo Yuka
Intérpretes: Cristina Lage, Vinícius D’Black e Marisa Orth
Coro: Juliana Ferreira, Ingrid dos Santos, Henrique Marques, Alessandro Portugal, Raquel Nascimento, Amanda Corrêa
Além de "Minha alma", outra música do Yuka. Mas esta já entrou no segundo tratamento do roteiro. Foi uma sugestão do Paulo Lins, co-roteirista, que me trouxe o CD Furto dizendo que tinha muito a ver com o filme. Durante os ensaios de dança, desmembramos a música, com a ajuda do preparador vocal Felipe Abreu, e remontamos fazendo com que os bailarinos participassem mais ativamente e incorporando a letra à dramaturgia. Finalmente, o peso dramático dado pelo Fernando Moura no arranjo final, levando a música também às cenas de guerra que entrecortam a dança, criou um clima que acabou por mostrar “musicalmente”, sem palavras, esta tragédia dos jovens perdidos em meio à violência.

Maré, nossa história de amor

O mundo já se acabou

Autor: Walter Alfaiate
Intérpretes: Flávio Bauraqui e Vinícius D’Black
Editora: EMI
Queríamos um samba, que seria a opção do irmão mais velho. Pensávamos num pagode “mais moderno” que falasse em trabalho. Mas, pelo contraste da cena entre a violência policial e o pagode, acabamos optando por este belo samba de Walter Alfaiate que fala de irmãos e da surpresa do que acontece com o mundo. Uma curiosidade: Walter iria participar da filmagem, mas no dia teve um problema e foi hospitalizado.

Som de preto

Autores: Amilcka, Chocolate, DJ Marlboro
Intérpretes: Cristina Lago e Vinícius D’Black
Corus: conjunto de bailarinos
Esta é uma história típica (e irônica) do mundo globalizado. Este “grito de guerra” do mundo funk foi ouvido por mim pela primeira vez em Paris, no encerramento do Festival Brasileiro de Paris, na festa de encerramento com apresentação do DJ Marlboro. Neste momento, me veio a idéia de deixar os bailarinos livres cantando este som como afirmação de sua identidade.

O Racha

Autor: Kaku do Hip Hop
Produtor: Rodrigo Furli
Intérprete: Kaku do Hip Hop e Vinicius D'Black
O Kako (Amaury para os íntimos) foi selecionado para o grupo de dança nos testes que fizemos inicialmente. Posteriormente, quando começamos a ver quem poderia cantar no filme, nos disse que era compositor. Um dia durante os ensaios me apresentou esta composição como uma sugestão para ser usada na batalha de hip hop prevista no roteiro. Acabou se transformando numa das boas pegadas do filme.

Aê meu primo

Autores: Pedro Luis e Pedro Rocha
Intérprete: Marisa Orth
Coro: Juliana Ferreira, Ingrid dos Santos, Henrique Marques, Alessandro Portugal, Raquel Nascimento, Amanda Corrêa
Também uma das músicas selecionadas desde o primeiro tratamento do roteiro. Queria algo crítico, mas alegre que o grupo dançaria num momento em que a violência entre as facções – e sua repercussão na comunidade – ainda não tinha se acirrado. A preparação dos coros e a divisão da letra entre os diversos grupos, mantendo a Fernanda (Marisa Orth) como a líder da brincadeira foi feita pelo preparador vocal Felipe Abreu.

Minha alma

Autor: Marcelo Yuka
Intérpretes: Vinícius D’Black e Cristina Lago
Coro: Juliana Pereira, Ingrid dos Santos, Henrique Marques, Alessandro Portugal, Raquel Nascimento, Amanda Corrêa
Também foi escolhida desde a primeira versão do roteiro. E desde o início ela seria cantada na Linha Vermelha, como uma manifestação para a própria classe média de quanto ela também fica aprisionada ao optar pelas grades da separação. Talvez porque o Marcelo Yuka seja tão visceralmente ligado à realidade que tratamos, acabamos escolhendo, sem perceber, mais de uma música dele. Os arranjos de Fernando e Marcos, feitos a partir das coreografias e do material já editado, valorizaram mais ainda a cena.

Maré, nossa história de amor