Anjo Lopes

Morador do Morro da Providência e atual ajudante/aprendiz de mecânico no conserto das máquinas do Hospital Geral de Bonsucesso, Anjo Lopes é simplesmente Anjo no novo filme de Lúcia Murat., um soldado do tráfico na favela, que será seduzido pela dança, e que terá grande participação dramática no longa. Militante do hip-hop do grupo ‘Black Rio’, recém-premiado num festival do Sesc de Nova Iguaçu, e ex-integrante da ‘Companhia Urbana de Dança’, de Sonia Destri, Anjo, que até ‘Maré’ só tinha representado em peça de teatro da escola, acaba de contracenar também com o protagonista de ‘174 - Uma infância perdida’, na nova produção de Bruno Barreto.
ENTREVISTA
Parece que você ficou famoso no set por causa da facilidade de improvisar...
Improviso virou meu nome no filme. As pessoas vinham falar que eu era criativo. Tinha tiradas para mim e para outros personagens também. Na cena que meu personagem manda a Fernanda (Marisa Orth) pintar de vermelho a fachada, a falas do roteiro eram poucas e sai improvisando. ‘Como tá de saco, cê’ nem tem saco!’ Alterei a voz e mandei: ‘Cara, você pergunta pra c..., pinta logo essa p... de vermelho’ Depois, vieram me perguntar se em nenhum momento eu tinha ficado intimidado porque era a Marisa Orth. Pois eu não. Para mim ela era a Fernanda e eu um bandido folgado que tinha que esculachar com ela.
Para quem só tinha representado no teatrinho da escola, como foi contracenar com uma Marisa Orth?
A Marisa é muito gentil, gente boa. Só não deixava eu falar nos ensaios. Como eu, ela também gosta de falar um bocado (risos). Pensava assim essa mulher é louca, sacou. Achava engraçado o jeito dela entrar em cena. Ela saia assim, tomava um ar, dava uma empinada e começava a representar. Dane-se se o resto não estava preparado. Achava aquilo maneiro. Era o jeito dela.
Como era o trabalho no set?
A Lúcia era exigente. Mas a Júlia (Murat, 1ª assistente de direção) e o Rafael Raposo (assistente do preparador de elenco) me ajudaram muito. A cena que entro para a escola foi a mais real para mim, por isso foi a que mais gostei de fazer. E a coreografia para ‘Pneu queimado’ foi a que achei mais bonita, porque é a mais style, mais livre.
Qual a melhor coisa que aconteceu até agora por causa do filme?
Ter sido chamado para uma cena no ‘174’, do Bruno Barreto. E também quando sai na capa da ‘Revista’ de O Globo. Aquilo me deixou eufórico. Os amigos, minha tia, me viram ali antes mesmo de eu me ver. Não quero passar a vida no subsolo do Hospital Geral de Bonsucesso. Tô lá trabalhando para ganhar dinheiro, mas ligado nas oportunidades que podem pintar depois do lançamento do filme. Espero que sejam muitas.