Jefchander Lucas

Jefchander apareceu na pele do Alicate de ‘Cidade de Deus’ (2002/Fernando Meirelles). ‘Aquele que rouba o caminhão de gás, lembra?’, pergunta. Depois, fez ‘Cidade dos homens’ para a TV e o cinema e a participação em dez capítulos da novela ‘Vidas opostas’, da Record. No meio disso, foram três clipes, um curta, e dois longa-metragens de Lúcia Murat: ‘Quase dois irmãos’ (2004) e ‘Maré – Nossa história de amor’. Vendedor de roupas e tênis no camelô de Madureira e morador de frente para o Morro São José, Jefchander sonha em viver só da arte de representar.
ENTREVISTA
Este é seu segundo papel num longa da Lúcia Murat...
Fico muito feliz em saber que ela gosta do meu trabalho, porque ela foi essencial na minha vida nestes últimos anos. Foi ela que me deu alguma estabilidade nessa vida. Trabalhar com ela é tudo de bom. Estava há um ano e meio parado e quando ela me chamou para o ‘Maré’ foi uma explosão de tanta felicidade. Trabalhava na montagem de ‘O incrível encontro’ (2000), de Anselmo Vasconcelos, na Fundição Progresso, quando fui selecionado para o ‘Cidade de Deus’. De lá para cá, já fiz curso até de story board, mas não dá para se manter da arte.
Como foi ser o personagem opositor ao do Babu Santana?
O Babu é meu amigo há uns oito anos e é um ‘puta’ ator. Isso era demais. Mas a cena que mais quero ver é a que levo a minha irmã para tirar satisfação com a professora de dança. Eu tremia. Contracenar com a Marisa Orth que via no teatro, na TV desde pequeno. Mas na hora, saiu. A Lúcia deixava a gente bem livre para improvisar e isso facilitava. O roteiro nesta cena veio para mim só com a intenção. Acabei ainda dando uma bronca na minha irmã no final. A Lúcia riu. Adorava quando ela abria aquele sorriso. Já nem perguntava mais se estava bom, se não estava.