Vinicius D'Black

Cantor, como o personagem Jonathan, desde os 15 anos queria gravar um CD. Professor de dança de salão, jazz e sapateado, Vinícius D’Black foi o escolhido entre mais de 500 rapazes que passaram pelos testes de elenco para viver o protagonista, o MC, irmão de Dudu (Babu Santana) e Paulo (Flávio Bauraqui), que vai se apaixonar pela filha do chefe do tráfico do outro lado. Antes, somente a carreira independente de cantor e algumas passagens por figurações na TV e pelo musical ‘Certas canções’, com o grupo ‘Nós da dança’, ano passado. No filme, D’Black interpreta ‘Minha Alma’ e ‘Gente de Lá’, de Marcelo Yuka, ‘Pneu Queimado’, do F.U.R.T.O., ‘Você’, do Tim Maia, e ‘Favela’, de Marcelo Falcão e Xand. Morador de Rio das Pedras, D’Black tem grande identificação com o personagem que representa no filme.

ENTREVISTA

Foi difícil atuar?

Muito. Não tinha a menor idéia do que era. A Lúcia me cobrava muito. Mas confiou em mim. A Júlia Murat (1ª Assistente de Direção) me ajudou muito. O Babu Santana me ajudou muito. O Flávio (Bauraqui) também. Babu chegou a fazer três dias de ensaios comigo sozinho. No final, a cena saiu, mas quando fomos embora ele disse assim: ‘encontramos a nossa cena, amanhã teremos que encontrar a da Lúcia’. A Lúcia veio e podou e a cena ficou do tamanho que ela queria. O importante no set era não cristalizar, era aproveitar a química do momento. O Fabrício (Tadeu), steady cam, também me ajudava, falava olha pra cá, olha pra lá. O primeiro dia de filmagem foi sinistro. A Júlia ficava me mandando subir e descer correndo uma escada da favela. Sabia a cena que ia fazer, mas não tinha a menor idéia de como seria. Ela queria que eu ficasse cansado. Queria que quando fosse filmar a descida da escada, fizesse isso como sempre tivesse passado por ali. Colocaram uma mochila nas minhas costas pesada, uma roupa quente. Tudo para tornar mais real. No primeiro take, o Lúcio (Pereira), cabeludo, das gangues, se pendurou no muro para pular em cima de mim, o muro quase veio abaixo. Depois, minha mochila ficou presa na grade. Só muito depois fui aprendendo a improvisar um pouco quando acontecia uma coisa assim. Teve uma hora que meu tênis saiu e eu o chutei longe, aumentando a raiva na cena.

Quais as cenas mais difíceis?

As cenas pesadas, dramáticas eram as mais difíceis. A emoção tinha que vir assim de uma hora para a outra. No início chegava no set com tanto medo, tão assustado que nem curtia. Aos poucos fui ficando mais feliz por estar ali, porque no início tudo era muito difícil.

E como foi dançar?

Me sentia um patinho feio quando era para dançar hip-hop, porque a galera mandava muito. Mas teve uma coisa natural de um ajudar o outro e fui aprendendo também. Embora dançar fosse bem mais fácil para mim que já dei aula de dança.

E cantar?

Essa foi a melhor parte. Canto ‘Minha Alma’ e ‘Gente de Lá’, do Marcelo Yuka, ‘Pneu Queimado’, do F.U.R.T.O., ‘Você’, do Tim Maia... Mas foi ‘Favela’, do Marcelo Falcão e Xandão, que abre o filme, que mais me tocou. Já tinha feito aulas com o Felipe Abreu de preparação de voz e de estudo de canto e foi um prazer enorme voltar a trabalhar com ele, que é muito fera. Sempre penso quantas pessoas não gostariam de ter feito esse filme e eu fiz. Já tinha participado do ‘Pop Star’ e do ‘Fama’ na TV, mas nada se compara a este filme. É um sonho realizado.