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um filme de Lucia Murat

Argumento

ANA está morrendo. Ex-guerrilheira, ícone da esquerda, ela é o último elo de um grupo de amigos que resistiu à ditadura militar no Brasil. Na sala de espera de uma casa de saúde, eles se reencontram. Utopias falidas, terrorismo e liberação sexual sob o ponto de vista de duas gerações, um grupo de ex-guerrilheiros e seus filhos, são os temas deste filme. Narrado como um quebra-cabeça, numa sequência de emoções e sensações que não obedece a uma narrativa clássica, o filme mostra ANA apenas quando jovem, como se ela nunca tivesse saído dos anos 60. Jovem, linda e perigosamente frágil.

Como pano de fundo para essas questões, A memória que me contam acompanha o dia-a-dia dos personagens principais hoje. IRENE, cineasta, está trabalhando num filme que tem a ver com os anos 60. O casal, Henrique, artista plástico, e ZEZÉ , curadora, trabalha com arte contemporânea. EDUARDO, filho de IRENE, é um jovem artista em ascensão e tem uma relação amorosa com GABRIEL, filho de RICARDO, umex-militante, hoje professor, que do ponto de vista comportamental é extremamente conservador.

Cada um dos personagens na sala de espera traz uma questão que liga os anos 60 a questões atuais. PAOLO, refugiado no Brasil, acusado de pertencer a um grupo armado na Itália dos anos 70, traz a discussão do terrorismo para hoje.  Por que ele ainda é visto como um bandido e os personagens brasileiros são heróis? O que mais distinguia a realidade da guerrilha no Brasil, que vivia uma ditadura, da Itália dos anos 70?

IRENE e PAOLO já tiveram um caso no passado. O triângulo formado um dia por PAOLO, IRENE e ANA vem à tona. Mas hoje, diante da possibilidade da perda de ANA, o que interessa a todos os amigos ali reunidos é o afeto que os une. Um pedido de extradição feito pela Itália ocasiona a prisão de PAOLO no Brasil. Todas as discussões se acirram, inclusive com ZÉ CARLOS, atual Ministro do Governo.

Paralelamente a esse grupo, a geração de jovens, filhos daqueles ex-militantes, entra em conflito com os mais velhos. Todos têm uma profunda admiração pelos pais, não escapam do mito em torno da resistência à ditadura, têm até uma certa inveja desse passado "heróico". No entanto, as contradições na vida profissional e comportamental vão acentuar as diferenças. A chegada de Chloé, sobrinha de Ana que vive em Paris, é mais um estímulo a esse embate.

A morte de ANA reúne os amigos.  No cemitério, ante-sala da cremação, estão todos presentes para uma última homenagem. Na tela grande, essa homenagem é mais do que perfeita. É uma bela e perfeita cena cinematográfica onde ANA tem a despedida que seus amigos gostariam que tivesse. IRENE está feliz de ter conseguido realizar um belo filme sobre a amiga.

O espectador entende que o filme de IRENE é o filme sobre ANA. O cinema como o sonho possível.