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um filme de Lucia Murat

O refugiados

Muitas pessoas que leram o roteiro acreditavam que o personagem de Franco Nero era baseado no caso Battisti que tomou conta do noticiário internacional em 2011. Na verdade, ele se inspirou num grupo de italianos que se refugiaram no Brasil nos anos 80 e aqui reconstruíram suas vidas. Alguns deles foram posteriormente presos pela Policia Federal a pedido do Governo Italiano.Piero Mancini

Todos foram liberados depois de meses de cadeia por terem sido considerados presos políticos e, portanto, não foram extraditados. Entre eles, estava Piero Mancini, dono de uma produtora de vídeo no Rio de Janeiro, que foi preso em junho de 2005 e passou 6 meses na cadeia. Aqui, ele fala de sua experiência:

  • Qual a importância para você de um personagem num filme brasileiro que trate dessa questão?
    Resgatar a memória do processo político italiano é fundamental frente ao obscurantismo com que a política institucional italiana trata a questão dos “anos de chumbo”. Na Itália ainda não se fala de anistia. Os militantes daquela geração ainda são considerados criminosos comuns. A comparação com a legislação brasileira ajuda a entender melhor o caráter fascista e retrógrado do regime italiano, não só do berlusconiano.

  • O que você sentiu quando depois de anos de Brasil foi preso repentinamente por atos realizados há décadas?
    Achei absurdo.... pois eu morava legalmente no país há mais de 25 anos, com endereço fixo e documentação legalizada. Mas achei que poderia ser também uma forma de politizar e desmistificar no Brasil a questão da anistia na Itália. O que de fato aconteceu...

  • Qual a sua visão de sua atividade política nos anos 70 na Itália?
    Foi parte do movimento revolucionário global com características acentuadas pela luta armada e conflitos sociais altamente insurrecionais.

  • O que você tirou da experiência da cadeia?
    Teve um fator altamente positivo, além da divulgação da temática sobre a anistia política na Itália, de caráter pessoal. Tirou parte do meu sentimento de culpa por ter evitado, ao vir para o Brasil, os grandes sofrimentos que tantos companheiros tiveram ficando presos décadas nos cárceres italianos.

  • Qual a imagem que o ator Franco Nero tinha para você e como foi conhecê-lo?
    O Franco é um grande ator que sempre atuou em filmes polêmicos e críticos ao status quo. Humanamente, correspondente inteiramente às suas qualidades artísticas.

Estudo e invenção

“Eu tinha uma imensa curiosidade de conhecer o Brasil. Quando recebi o roteiro da Lucia Murat, aceitei imediatamente porque o filme é instigante e o meu personagem muito bem desenvolvido. Me preparei durante dois meses ainda na Itália com uma coach para o português. Acho que foi um processo que misturou estudo e invenção. Já no Brasil tive o prazer de conhecer pessoalmente alguns dos italianos em que o personagem foi inspirado e foi uma relação tão boa que se transformou em amizade. Filmar no Brasil foi um prazer. A equipe era muito profissional e amiga. Eu me senti em casa”.
Franco Nero.