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Simone Petrillo - Maré, nossa história de amor

Simone Petrillo é editora de som de boa parte e dos mais importantes filmes brasileiros. Começou sua parceria com Lucia Murat em Brava Gente Brasileira. Hoje é uma das sócias de um estúdio de som e mixagem (Meios e Mídia).

ENTREVISTA

Como foi fazer o filme?

Para mim foi muito interessante. Foi a primeira vez que trabalhamos aqui com um musical. E é uma experiência diferente deixar a música em primeiro plano e vir com os ruídos e sons completando. Tem muita gente que pode achar que não tem trabalho, que é só colocar a música. Mas ao contrário, a gente tem que fazer uma composição entre os ruídos e a música que é bem mais difícil.

Como foi passar da realidade à fantasia e vice-versa?

Por método de trabalho, eu começo colocando todos os sons da realidade. Depois na medida em que vai entrando a música e outros sons a gente pode começar a pensar como tratar as cenas de uma forma mais fantasiosa e a gente acrescenta estes sons para enfim, na mixagem, o Emmanuel dar um efeito aqui, outro lá, buscando este aspecto de fantasia.

Como foi criar na Linha Vermelha em que os carros estavam off?

Foi um pouco complicado porque você não tem a imagem dos carros e teria que criar esta sensação através do som. Acabamos decidindo deixar todos os carros, buzinas, etc só no início da sequência e depois entrar a parte musical mesmo sem intromissão da realidade. Por isto, apesar de lá embaixo termos a Av. Brasil, com som de carros, etc, optamos por deixar neste momento apenas a música e o ruído de sala. No final, com a volta ao real, o som dos carros volta a surgir, mas aí os carros já se movimentavam em primeiro plano e ficava mais fácil.

Como foi a escolha dos sons na mixagem?

A gente entrou com todos os sons na mixagem. A opção do Emannuel foi de não vir com uma massa sonora indistinta, cada cena teria de ter um som em destaque. Este som e que a gente descobriu na mixagem. Assim, na invasão, os tiros são importantes e a música baixa… Já no Pneu Queimado foi o contrário, a opção foi pela música.

Qual a diferença de trabalhar entre o Quase Dois Irmãos e este filme?

São dois filmes completamente diferentes. O Quase é um filme mais denso, tudo muito grave nos ambientes, e este seria um filme mais para cima. Apesar de toda a parte da tragédia, ele se passa num lugar aberto. O outro era trancado, dentro da cadeia.

Na França eu tinha medo, não conhecia as pessoas, não sabia se você escutava o equipamento da mesma maneira. O mixador que você não conhece. Agora, foi mais relaxante estar aqui, onde controlo tudo e com o Emmanuel que eu já conhecia.

De resto, a Lucia é a mesma, em todos os filmes, ela enlouquece a gente, mas tudo dá certo no final...